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27 A 29 DE MAIO DE 2019

Todas as histórias do mundo são iguais

Jorge Furtado fala sobre a inspiração para criar narrativas televisivas e reforça que a vida real sempre será a melhor fonte de conteúdo

Bárbara Sacchitiello
6 de abril de 2017 - 6h40

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Sérgio Valente e Jorge Furtado falam sobre as maneiras de contas histórias (Crédito: Bárbara Sacchitiello)

Jorge Furtado é acostumado a criar tipos. De sua mente, saiu o cantor popstar Mister Brau, personagem de Lázaro Ramos na série homônima e a hilária Dona Picucha, de Doce de Mãe (que rendeu o Emmy International à Fernanda Montenegro). Dos lixões do País, tirou inspiração para o premiado documentário Ilha das Flores, que critica as desigualdades sociais promovidas pela economia capitalista. E, depois de resgatar os bastidores do surgimento da televisão no País na minissérie Nada Será Como Antes, já mergulhou no cotidiano dos hospitais públicos para tirar tons e narrativas de Sob Pressão, sua nova série que deve estrear no segundo semestre, na Globo.

De onde vêm tantas ideias para compor histórias tão distintas? Para responder a essa questão, o diretor e roteirista participou de um debate no Wav Festival in Rio, ao lado de seu colega de trabalho, o diretor de Comunicação da Globo, Sérgio Valente. Embora embasado por referências literárias e cinematográficas nacionais e internacionais, Furtado confessou que o melhor laboratório para a extração de boas ideias continua sendo a rua. “A vida real é cheia de roteiros inacreditáveis. Muitas vezes sou surpreendido por histórias que rejeitaria caso viessem descritas em um roteiro ficcional. Nada consegue ser tão surreal e surpreendente como a vida, da maneira que ela é”, comenta.

Sob essa perspectiva, Furtado crê que a televisão, além de propiciar entretenimento, têm a função de apresentar ao público essas histórias que, por muitas vezes, ficam encobertas. “A TV é meio que une o País e é o canal pelo qual ficamos em contato com histórias e pessoas que precisam ser conhecidas. Essa é a função de quem trabalha no meio: apresentar as histórias das pessoas ao povo”, resume.

Para o profissional, todas as narrativas – até mesmo as publicitárias – seguem uma mesma ordem: apresentam um personagem que deseja algo e que, por algum obstáculo, é impedido de tê-lo. “Essa é a premissa de toda grande história no mundo, desde Hamlet até Cinderella. Através dessa lógica, simples, é possível construir qualquer narrativa. O maior desafio, entretanto, é justamente esse: criar histórias simples”, diz.

Furtado ainda contou mais um “segredo” que baseia a criação de personagens e tipos para a TV e cinema. “Toda história contada possui um conflito e um sofrimento ao personagem. E o ser humano sofre apenas por duas razões. Por não ter algo que deseja. Ou por ter algo que não deseja”, define. Segundo o diretor, a televisão têm a missão de explorar essa essência e de levar ao público assuntos que precisam ser debatidos. “Temos que falar e mostrar hospitais, prisões e outros ambientes espinhosos. A visibilidade da TV no Brasil deve ser usada para contar as histórias que precisam ser contadas”, encerra.

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