“Não existiria TV no Brasil sem a Globo”, diz Boni

Em conversa com Washington Olivetto, o pioneiro da televisão brasileira conta suas impressões sobre o passado e o futuro da televisão.

Bárbara Sacchitiello
23 de janeiro de 2017 - 11h17

José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni, não é favorável a ideia de que uma única emissora de TV tenha a hegemonia no mercado publicitário. Nem mesmo aquela que ele próprio foi um dos principais responsáveis pela construção: a TV Globo. Apesar disso, ele confessa que não acha possível atingir um nível de qualidade tão alto como a TV brasileira conseguiu se não houver uma emissora que se destaque das demais.

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Washington Olivetto entrevista Boni: reflexões sobre a televisão e as emissoras brasileiras foram os temas do painel (Crédito: André Valentim)

“Fazer televisão de qualidade depende unicamente de ter recursos para investir em produção. É isso que determina tudo. E o mercado nacional não tem estrutura para investir tanto em mídia e sustentar a criação de quatro ou cinco emissoras abertas. Por isso a Globo acabou conquistando essa hegemonia e construindo uma programação de qualidade que a colocou na frente das outras. Não existiria a TV brasileira, da forma que é, sem a Globo”, comentou Boni, fundador e líder da operação da TV Vanguarda, uma das mais importantes afiliadas da Globo no Estado de São Paulo de São Paulo.

Com a bagagem de quem atuou na TV quando ela ainda era uma nova mídia – e padronizou diversas estruturas de programação e de publicidade que existem até hoje, como a grade fixa de programas e os breaks de 30 segundos – Boni respondeu às questões propostas pelo amigo e publicitário Washington Olivetto, chairman da WMcCann.

Apesar de elogiar a televisão brasileira em relação ao restante do mundo, Boni ressaltou uma preocupação em relação ao futuro do meio. “A TV viveu um círculo amplamente virtuoso no Brasil. De lá para cá, ela vem tentando encontrar novos caminhos. Mas é evidente que se faz necessária uma reinvenção. As coisas novas que surgem tem que ser experimentadas e aplicadas da mesma forma que fazíamos no passado”, sugere.

Olivetto citou um exemplo de como Boni vem tentando aplicar essas tais inovações. Na TV Vanguarda, o diretor implementou o projeto Repórter Vanguarda, que abastece os telejornais da casa com conteúdo colaborativo, enviados por cidadãos comuns e também por jornalistas que não atuam na emissora, que são remunerados posteriormente se seu material for aproveitado.

Sem citar diretamente à Globo, Boni fez críticas ao estilo informal que vem sendo aplicado no jornalismo televisivo. “Nos Estados Unidos, os telejornais vespertinos até fazem piadas, mas os noturnos são mais sérios, pois é o momento em que as pessoas estão esperando por informações de credibilidade. Se ficar aquela coisa de ‘Boa noite, Lulu. Como está o tempo? Está ótimo, Juju e blá blá blá”, disse, arrancando risadas da plateia.

Por fim, Boni revelou acreditar que o futuro da TV no mundo ainda é muito promissor e que, para isso se tornar realidade, é necessário continuar produzindo conteúdos amplos, que falem com o maior número de pessoas. “Fazer TV hermética, tanto para as classes mais altas como para as mais baixas, é a coisa mais fácil que tem. Mas elas não se sustentam por muito tempo. Nem comercialmente e nem em audiência. Então, sempre será necessário o equilíbrio”, analisa.

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